terça-feira, janeiro 04, 2005

[0.017/2005]
Desconverseira
Será que aquilo do cuco é comigo? E se fosses plagiar o Antropólogo em vez de me dares essa música miserável? Anda prá qui um homem nesta fona, neste tecla que não tecla, neste deita fora que engolir enfarta, e uma espécie fedorenta com meia dúzia de fala que fala e diz que diz enche-se, assim como não quer a coisa, de milins e mais milins.
Arre, ainda por cima armado em bom, como se não bastassem os adesivos que a vida tem.
Singra, não singra, ganha carne, faz que faz mas não faz, sabe que sei que sabe, mas não diz que sabe, eles sempre a engordarem e nós na tísica, chupados até aos ossos pelos gajos do fisco.
Depois vêm aquelas garinas armadas em grandes senhoras, cruzinhas ao peito, pulseiras feitas chocalhos e vociferam tretas tantas de que fazem e constroem onde só se vê coisa nenhuma. Cuco? Cuco o tanas!
Somos não alinhados, sofredores, acabrunhados. Nunca estamos com ninguém que connosco não esteja e esperamos, sempre independentes, a nossa vez de tratar mal quem bem nos tratou, beliscar aqui e ali em troca de um sorriso, sempre à coca, à espreita. Nem sequer votamos, não se vá saber que o fizemos em alguém porque, qualquer um que venha, será sempre benvindo (como dizeria o outro), porque bem-vindo será quem vier por bem. Por nosso bem.
Cuco... era só o que me faltava.
Porra que é demais!
LNT
3:08:00 p.m.
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