segunda-feira, agosto 08, 2005
 [1.056/2005] Portugal banhado por deserto? [II]
O suplmento do Público, Cargas e Transportes, traz esta semana dois artigos sobre as mega-empreitadas que o Governo pretende lançar. Como foi referido no texto 1.048, que foca a dimensão marítima, Portugal deve estar banhado por deserto. Um dos artigos do suplemento Cargas e Transportes é da autoria de Joaquim Ferreira da Silva e foca, precisamente, a inexistência de qualquer aposta na dimensão marítima, quando, o factor da nossa centralidade (ou periferia) reside na dimensão que atribuímos ao mar. "O plano de 25 milhões para investir nas infra-estruturas (...) nem uma linha refere ao transporte marítimo. E, daquilo que as estatísticas nos indicam, ainda é por via marítima que Portugal movimenta a maior parte das mercadorias necessárias à sua sobrevivência. O petróleo, o carvão e o gás natural, matérias vitais para o país, utilizam 100% do transporte por meio de navios. (...) Não se relata, no PIIP instituído, investimentos concretos e bem definidos destinados a melhorar as vias de acesso aos nossos principais portos, de modo a colocá-los em condições competitivas com os portos espanhóis. E é aí, certamente, que está a condição primordial para evitar que Portugal fique isolado neste canto da Europa: evitar que os portos portugueses continuem impedidos e distribuir mercadorias pela Ibéria dentro com a rapidez e eficiência como o faz já maior parte dos portos do país vizinho. (...) Veja-se como a Suécia, a Finlândia, a Noruega, e a Dinamarca deixaram de fora TGV mas têm os mais modernos portos". Importa sublinhar que Portugal é o país europeu com a maior ZEE (devido aos Açores e à Madeira) e, geograficamente, tem a melhor costa europeia no quadro do Atlântico. CMC
2:50:00 p.m.
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