segunda-feira, junho 28, 2004

[00.704/2004]
Caro JPN
Nem todos os portugueses, como constatamos, são entusiastas da opção de José Manuel Durão Barroso. Aliás, o próprio JPN parece-me pertencer ao grupo de pessoas que não mostrou grande entusiasmo com a notícia. Está no seu direito. Como os restantes cidadãos que não se revêem na postura assumida pelo, por enquanto, Primeiro-Ministro português.
Porém, há um facto que é indesmentível, o cargo de Presidente da Comissão Europeia, que vê os seus poderes aumentados sucessivamente, é aliciante e arriscado.
Aliciante, porque estamos num contexto europeu completamente novo. Mais dez Estados e com outro alargamento à porta, é um grande desafio com que a União se confronta, para além das diferenças de projecto europeu que cada país/bloco de Estados têm para UE. Lidar com estas e outras situações, de grau complexo, é de um enorme entusiasmo, mas também de precaução. Acrescento mais. Talvez só alguém proveniente de um país de média (o caso português) e pequena dimensão é sensível a factores de coesão e solidariedade entre os 25. A experiência e sensibilidade a estes casos só é própria de um cidadão oriundo destes países de média e pequena dimensão. Neste caso, há esta vantagem e Durão Barroso preenche-a.
Se para os países da coesão (Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda), pela (possível) manutenção de fundos estruturais necessários para o desenvolvimento de determinados sectores a sua nomeação é importante, a sensibilidade, que acima referi, é fundamental para a maioria dos países, com a excepção da Polónia, que recentemente aderiram, para que haja uma integração bem sucedida, bem como é determinante para os próximos candidatos: Bulgária, Roménia e Croácia, sem esquecer, evidentemente, o entusiasmo de Durão Barroso na adesão da Turquia à UE.
Por outro lado, pode ser arriscado, no sentido de a sua liderança ser menos bem sucedida. O seu trabalho pode não alcançar as metas a que se tinha, ou melhor, que vai ter de propor e pode falhar. O que é indesejado.
Quanto à comparação que o jpn faz com G.W.B., devo dizer-lhe que ela não é a mais feliz. Não tem enquadramento plausível. Contudo, afirme-se: há que respeitar a escolha dos cidadãos norte-americanos, os mesmos que em breve serão chamados a pronunciarem-se sobre a sua, de G.W.B., actuação e sobre o futuro que querem para o seu país.
No que diz respeito ao Primeiro-Ministro luxemburguês, de ter declinado o convite para Presidente da Comissão, ele fê-lo por que o manifestara antes, quando o seu nome tinha sido colocado na mesa das negociações. Importa lembrar que no passado dia 13 de Junho, para além das eleições europeias, o Grão-Ducado também teve eleições legislativas, tendo Juncker ganho. Ou seja, ele assumiu o seu compromisso com os luxemburgueses, como Durão Barroso assumiu com os portugueses em 2002. Mas, não façamos leituras lineares. Juncker estava no momento de escolha, Durão Barroso não.
Há quem diga, nesta referência, que o luxemburguês podia ter ido e não foi, acabou por ir o nosso. Mas, questiono: terão os 24 responsáveis governativos manifestado o mesmo apoio unânime a Juncker como foi exibido a Barroso? Que eu saiba não.
A União acabou por chegar à situação de só o Primeiro-Ministro português reunir consenso. Este é que é o facto incontornável.
O jpn considera que Durão Barroso é "pessoa com um grandessíssimo conceito de si mesmo" e eu concordo, em parte, consigo. Se não o fosse, certamente que nunca teria chegado, primeiro ao lugar de Presidente do PPD e depois de Primeiro-Ministro. Podemos não gostar, não simpatizar, mas os líderes se não tratarem, em (até) certa medida, de si próprios, sujeitam-se a ser marionetas.
Ele teve a oportunidade. Agarrou-a. Quanto a mim faz bem e desejo-lhe as maiores felicidades. Se for bem sucedido, certamente que todos nós seremos beneficiados.
O alcaide da capital, putativo sucessor de Durão Barroso, já disse várias coisas. Se reparar com atenção nos traços gerais das suas teses, do ainda alcaide de Lisboa, ele sempre defendeu que quem fosse Presidente do partido não deveria ocupar o cargo de Primeiro-Ministro. Agora parece estar à beira de ocupar os dois cargos, mas isso só saberemos daqui a uns dias.
Por enquanto, falta Durão Barroso assumir o cargo para o qual foi convidado oficialmente e esperar, depois, pela atitude do Presidente da República.
CMC
12:15:00 da manhã
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