sábado, julho 10, 2004

[00.789/2004]
Choro por uma Nação em fim de vida
Poderão não entender mas terão de perceber. Pelo menos uma vez na vida em que militantes de base do mesmo Partido, partilhando um espaço público comum, não deixam de ser personagens divergentes do mesmo problema.
Esta, Carlos, será a nossa mais forte divergência, porque a convergência faz-se nos princípios que nos unem na mesma luta. Mas ao contrário de ti, nunca disse, porque não o faço por antecedentes de vida, que fosse qual fosse a sua decisão, eu a acataria. Disse coisa diferente que foi: - Acredito em Sampaio, porque votei nele.
Talvez uma questão de gerações. Sem o choradinho, porque o não perceberias, de cães nas canelas e outras coisas que tal que tiveste a felicidade de não te ser necessário. Ainda bem.
Não falo só de política, muito menos do politicamente correcto. Falo de filhos que tenho quase da tua idade que se licenciam, que se preparam para uma vida que ambicionei de futuro e vejo o futuro a escorregar-lhes entre os dedos por uma decisão que, em primeiro mandato, Sampaio não teria tomado. O homem na ânsia da história passou de Presidente de todos os portugueses para o de nenhum dos portugueses.
Sei que a tua erudição política te dá sabedoria para a evocação dos consagrados da ciência política. Sei e respeito, como respeito a minha escola mais física de me sentir traído por quem me bati durante quase 20 anos. Chama-lhe utopia. Que seja. Sem o meu esforço Sampaio nunca poderia ter sido eleito Presidente da República e contra o meu esforço ele decidiu a morte de tudo em que acredito.
Não é possível o silêncio.
Evitando, porque estamos em espaço público, o resto que me vai na alma, te digo, meu caro: Antes de socialista sou português. Antes de português sou pai. Se alguma força me sobra da traição, da vingança tardia que Sampaio em fim de carreira fez ao que o PS lhe fez e nisso envolveu por quem por ele se bateu nos últimos 20 anos, será para defender os que me precedem.
É a minha convicção. Não me calarei.
LNT
5:07:00 a.m.
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