quinta-feira, julho 22, 2004

[00.855/2004]
Falhas e... inevitabilidade?
A aparência também conta, sobretudo num mundo que exacerba as imagens.
As impressões iniciais deste executivo não poderiam começar da pior forma.
Primeiro, o trejeito de quem não deveria meter água e a vai tutelar. Segundo, a mudança feita em cima do joelho, quando, pouco tempo antes era seguro que a Defesa seria bem representada por quem terá, agora, de defender a Cultura.
Isto do lado do parceiro. Que, conhecedor do meio que divulga cometeu o mais básico e crasso erro: dar uma imagem de pouca credibilidade.
Do lado maioritário, os sinais dados também não são os melhores. As ideias lançadas que não pegam, mas promovem o debate de chacota. Actos que devem ser do restrito ritual privado, transformam-se em acto público, no qual, depois, ainda se responde a um comentador. Não é pedido ao Primeiro que responda às análises, mas que governe. Depois diz que não pode lançar ideias, propostas, sob pena de só lhe ser pedido que fale no fim, quando há decisões tomadas.
É isso mesmo que o cargo lhe exige, mas pelo hábito de ter de aparecer sempre, nem que o nada seja o sentido daquilo que tem para dizer, acaba por lhe promover uma imagem, ao Primeiro, em que o sentido de Estado se esfuma, pois a pesada máscara de estadista só assenta a quem a sabe moldar e não a quem não a sabendo usar a coloca para dizer que é rei. É-se rei pelo facto de o ser de facto e não por parecer ser. Esta é a diferença substancial que existe e que ainda não foi compreendida.
Ou muito me engano, ou quem um dia já foi alvo de todas as atenções, pelo facto de combater o status quo, está submetido à mais inglória das confrontações, que é, precisamente, ser o status quo e ser alvo de um lado que um dia, quase sempre, foi o seu lado preferido, estar contra o poder.
O feitiço virou-se contra o feiticeiro.
CMC
3:00:00 da tarde
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