sexta-feira, agosto 27, 2004

[0.947/2004] O barco
Só o nome atribuído ao barco, a ter em consideração a denominação que alguém lhe deu em português (quem foi?), é ignóbil. Sinceramente, até soa a inquisição. Infelizmente, a questão da Interrupção Voluntária da Gravidez continua a ser motivo de debate de chacota das partes pró e contra. O problema de fundo, no nosso país, não se resolve. As mulheres que quiserem interromper a sua gravidez, só muito a contra gosto certamente, num determinado prazo não o podem fazer, salvo as três excepções previstas na lei, pois caso o façam são criminosas. Políticas de família e incentivos à natalidade, nem os ver. O debate lusitano continua a viver para o mediatismo. O barco atraca, durante uns dias debate-se fervorosamente a questão, e assim que a embarcação zarpar, a questão da IVG volta a adormecer até uma próxima oportunidade, quando não houver escândalos para animar o pessoal. Já que a palavra aborto não pode ser definitivamente abortada, aborte-se, de uma vez por todas, este debate estéril e sem sentido que muitas pessoas do pró e contra só fazem quando o assunto vem à baila. O que está em causa é a dignidade Humana e por muitas preocupações, que as têm, dos movimentos pró e contra, talvez fosse conveniente, de ambas as partes, diminuir o grau omisso de hipocrisia com que por vezes se apresentam, com ar pudico, de que são os legítimos salvadores da moral e bons costumes. Quanto ao barco, chamem-lhe, em português, o que quiser, mas do aborto? Que aborto de nome! CMC
1:39:00 da tarde
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