domingo, maio 22, 2005
 [0.734/2005] (Des)graça da tanga
Acabou o denominado estado de graça do Governo. Se alguma vez o teve. Porém, partindo do princípio que sim, o estado de graça termina nesta semana, por que o já eterno presente, e nada desejado défice, volta a estar na berlinda, da qual, na realidade, nunca saiu. Apenas ascendeu mais uns degraus nos últimos anos. Primeiro, se o executivo teve estado de graça, tal se deveu ao anterior Governo. Qualquer solução saída de 20 de Fevereiro seria sempre muito melhor do que a que estava. Por isso, a desgraça do anterior reflectiu-se, inversamente, nos primeiros tempos, na graça daquilo que até poderia nem tê-la. Os primeiros meses de governação pautaram-se mais pelo silêncio do que pela desbocagem anterior. Onde havia excesso de verborreia, passou a haver parcimónia verbal. Onde havia uma mão cheia de nada, passou a haver uma mão sem se saber ao certo o que continha. Saber-se-á, na semana que agora entra, o que tem a mão deste Governo. Qual será o novo (ainda é possível?) aperto do cinto. Conhecido o valor real do défice, logo as medidas para o combater, ou melhor, para o travar, primeiro, diminuir, depois (se possível), serão conhecidas. O executivo tem de mostrar agora por que mereceu a maioria dos votos dos portugueses. E, do passado recente fica uma lição. Quem se preocupa exclusivamente em andar a apontar culpas no cartório, não estará a prevenir a escalada do défice. Apenas contribui para a sua ascensão. As urnas, em 2005, tal como em 2002, fizeram a sua escolha e, concomitante, a sua penalização. Ficar agarrado ao passado, na procura de exibir as cabeças que desbarataram as contas, não contribui minimamente para a saída do fosso ao qual estamos remetidos e, pelos vistos, mais afundados. Obviamente que não devem ser esquecidas as faces do desbaratamento, sob pena de tudo ser permitido. Isto é, se já não é. Basta notar quem aparece publicamente a dizer o que deve ser feito e o que não deve ser feito para combater o défice. Precisamente quem governou quando o défice aumentou. Quantos ex-Ministros e ex-Secretários de Estado não aparecem, quase diariamente, a debitar medidas? Quando são os mesmos que, no período em que exerceram funções governativas, viam o défice aumentar. Por este andar, com a época balnear à porta, mais dia menos dia, até a tanga tem de ser vendida, para termos alguns tostões nos cofres nacionais. CMC
5:52:00 da manhã
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