sexta-feira, maio 27, 2005
 [0.749/2005] Portugal: um país duas mentalidades
O país discute o défice. Apresentam-se panaceias, mas todos vamos ter de pagar mais impostos. Entretanto, os factores exógenos que nos dizem respeito, pouco parecem importar. Há uns meses, e bem, todos estavam sensibilizados com as eleições presidenciais norte-americanas. O mundo podia ter outra abordagem da Casa Branca. Todos estavam mais ou menos conscientes disso. No próximo domingo, o resultado do referendo francês diz respeito a todos os europeus. Uma reprovação das urnas pode significar um adiamento do projecto europeu. Ou seja, aquilo que todos hoje sentem como uma União sem força, em caso de vitória do não, acabará por representar uma anemia colectiva, precisamente no momento que a União precisa de um impulso. Finalmente, e no caso português em particular, e no europeu em geral, não menos importante, são as eleições antecipadas na Alemanha. O grande Estado passa por uma profunda crise e quando o motor da Europa resfria, tudo o que está à sua volta arrefece. Como os últimos anos comprovam. Quem será o próximo Chanceler? E que políticas promoverá? Será que alguém já se deu conta de estarmos no século XXI? Em plena globalização, onde a dependência, de todos, é maior? Portugal, pelos vistos, parece alheio a esta realidade europeia e mundial. Discute as suas contitas, como se elas pudessem sanar numa única dimensão, a endógena, sem que a situação europeia e mundial favorável não trouxesse o fim das dificuldades que há anos nos afectam. O maior défice, não é o das contas públicas, é do nosso posicionamento. Somos um país e duas mentalidades: nas finanças, há, parece, uma escola Sinel de Cordes, no pensamento há uma postura próxima do que sucedeu ao famigerado Ministro das Finanças do século XX. Finalmente, alguém já se esqueceu que só nos preocupamos com o défice por que estamos integrados na UE, por que temos e estamos na zona Euro? Caso contrário, se continuássemos com o escudo no bolso, o défice até seria maior e nem era debate constante. Teríamos, talvez, um défice com dois dígitos! As coisas que a União Europeia nos provoca. Até temos de ter contas públicas sãs. CMC
4:26:00 da tarde
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