segunda-feira, outubro 24, 2005
 [1.472/2005] A decadência europeia, o egoísmo francês
A França continua a resistir à posição mais actual e adequada face à realidade europeia e mundial do Comissário Mandelson. Receosa de perder a sua cota agrícola (verbas), a França força a UE a nova reunião com o Comissário esta semana. Não menos lamentável, assinale-se, é o comportamento de alguns Estados, que usufruem das migalhas do bolo comunitário que os franceses não recebem. Há sectores estratégicos dos quais não se pode abdicar, e o agrícola é um deles. Mas não enfrentar a realidade presente, pode tornar-se um verdadeiro pesadelo a médio-longo prazo. Continuar a alimentar os bolsos de meia-dúzia, sacrificando não só o trabalho e a produção (quantidade e qualidade) do Sul, bem como desviar (muitas) verbas da UE para um sector, o agrícola, que a médio prazo não terá capacidade para competir a nível mundial, desprezando sectores fulcrais para o desenvolvimento europeu, como o I&D, só condenará a União a um atraso que terá as suas consequências negativas dentro de alguns anos. Os franceses continuam a enterrar a cabeça na areia e, além de se afundarem, arrastam, também, a UE. Se o poder político gaulês continuar a recear enfrentar os inúmeros bovêzinhos que pululam pela Gáulia, a decadência não residirá somente nos princípios, mas também nos valores (materiais). O receio do futuro, por parte de milhões de franceses, como se constatou aquando do referendo do Tratado Constitucional Europeu, não pode continuar a triunfar, sob pena de o futuro ser, ele próprio, um passaporte de bancarrota. Por não encarar o porvir, certos Estados-membros rumam em direcção ao precipício e consigo arrastam outros países. Face à elevada competição global, a descida torna-se no sentido único a que a Europa se sujeita, se os Estados não inverterem a sua política de enclausuramento, fazendo de conta que o que se passa à sua volta não lhe diz respeito. CMC
2:38:00 da tarde
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