segunda-feira, outubro 31, 2005
 [1.517/2005] Atracados às políticas doutros tempos
Outubro acaba e estudos da Ota e do TGV nem os ver, como prometido no passado mês. E Setembro já tinha sido indicado, no período Estival, como mês em que o poder político daria a conhecer os motivos do avanço dos dois mega-empreendimentos. O Executivo, para contornar a falta de palavra, tirou o coelho da cartola na semana passada. Como não apresentou os estudos, divulgou que a Ota avança, assim como o TGV, ainda que este numa versão mais reduzida. Uma posição mais sensata indicaria que o poder político deveria, pelo menos para não chamuscar a governabilidade, abdicar, paulatinamente, destes mega-empreendimentos, sobretudo em momentos de contenção. E, quando chegado o momento, assumir que não seriam lançados estes projectos. As sociedades já não crescem com métodos keynesianos e pensar quem em 2009, quando os projectos avançarem, algumas dezenas de empregos vão ser criados, uma vez mais está a promover-se uma ilusão. O crescimento acontece, actualmente, com investimento no capital humano, isto é, na formação, não no betão. Aliás, este foi chão que já deu algumas uvas em Portugal e vemos em que estado o país se encontra com a política do betão. Quanto aos mega-projectos, a questão, mais do que técnica, é estratégica. Se, por um lado, um aeroporto fica distante da capital, aqui, em parte, é a dinâmica económica da metrópole que fica a perder e a urbe torna-se pouco atractiva para os forasteiros, pois a cidade não está a um passo da saída do avião; por outro, um TGV, para passageiros, entre as capitais ibéricas, não será o mais rentável, nomeadamente para o lado português. E quanto ao desenho da linha Lisboa/Porto, como se pode ter planeado quatro paragens? Esbanja-se dinheiro na alta velocidade, que com tantas estações num trajecto tão reduzido, de alta (velocidade) nada tem. Finalmente, a propósito da desconformidade deste país, em relação a outros, há dias li, não me recordo onde, que um bilhete entre Lisboa e Porto, pouco mais de 300 quilómetros, no Alfa, uma pessoa paga quase 25 euros. Em França, país com qualidade de vida e rendimentos superiores aos nossos, bastante acima, uma viagem entre Paris e Marselha, o dobro de Lisboa ao Porto, de TGV, um passageiro nem chega a pagar 20 euros. Bem podiam parte das verbas dos mega-empreendimentos ser canalizadas para a grande e exclente aposta tecnológica. Portugal não acerta com as agulhas do futuro e o descarrilamento continua. CMC
11:58:00 da tarde
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