segunda-feira, dezembro 19, 2005
[1.821/2005] A fábula
Devo assinalar que o candidato presidencial que mais tempo exerceu funções à frente de um Governo, e que raramente fala, quando fala não percebe, ou melhor, não quer entender o que se passou na Península Ibérica de há 20 anos para cá. Ouço o senhor intervir no Alto Alentejo, a poucos quilómetros da fronteira, e perante os raianos diz, com ar surpreendido, que os espanhóis crescem por ano mais de 3% e nós, portugueses, nem 1% de crescimento atingimos. Portugal, tal como Espanha, aderiu às então Comunidades Europeus, faz no próximo dia 1 de Janeiro 20 anos. Duas décadas de profundas mudanças nos dois países, reconheça-se, mas duas décadas de mudanças onde uns souberam trabalhar para crescer e outros pensavam crescer sem muito trabalhar. O senhor candidato esquece-se, omite, ou não quer saber, ou, melhor, quer disfarçar, para não ser comprometido, que foi a primeira década de pleno direito nas Comunidades Europeias que os dois Estados ibéricos receberam mais verbas. A mesmíssima década em que governou o país. O tempo era de vacas gordas. Era o momento oportuno para investir e aplicar adequadamente as verbas. Uns preferiram construir as bases. Os resultados, duas décadas depois, notam-se. A condução dos espanhóis, pela mão de González, foi exemplar. E, mesmo com a mudança de poder, as vias do crescimento e desenvolvimento estavam criadas e lançadas. Por isso os dois mandatos legislativos do PP, depois dos anos de González, foram bem sucedidos. E, a seguir aos Governos PP, o novo Governo espanhol, do PSOE, continua a colocar Espanha na via do crescimento. Em Portugal, a primeira década, a indispensável para criar condições necessárias para progredirmos, foi desperdiçada. O país pensou que evoluía, que estava a desenvolver, que crescia. Autêntica miragem. O tempo é como o algodão, não engana. A maioria das bases para o crescimento ainda têm de ser implantadas, para que finalmente Portugal entre na rota do desenvolvimento.  Marca no país da década governativa do candidato presidencial? Betão. Estradas. Por sinal, construiram-se mais estradas no Governo seguinte, somente em quatro anos, do que os 10 anos de consulado governativo do candidato presidencial. Milhões de verbas dos fundos europeus foram esbanjadas sem qualquer retorno profícuo para o desenvolvimento do país. O Governo português foi bem sucedido nas Perspectivas Financeiras e tem, agora, a derradeira oportunidade de transformar, para melhor, Portugal, com as verbas comunitárias. O mau exemplo, dos dez anos de governação, entre 1985 e 1995, está dado. Esperemos que o Governo não caia na mesma política de fachada. Pois de duas uma, ou se edificam as bases indispensáveis ao crescimento, ou o atraso a nível europeu acentuar-se-á ainda mais. Em suma, é preciso desfaçatez, o senhor candidato e antigo governante admirar-se com o crescimento espanhol e ficar estupefacto com a situação nacional. Agradece-se que não passe atestados de amnésia quando se espanta com a falta de crescimento português e o compara com Espanha. CMC
3:35:00 da manhã
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