terça-feira, dezembro 27, 2005
[1.858/2005] Ilações
A política portuguesa está a poucas semanas de virar uma página no ciclo democrático. Independentemente da nova fase política portuguesa trazer páginas de capítulos anteriores e já bem conhecidas dos portugueses, por isso não se espere melhorias a nível nacional com a eleição presidencial, compete à esquerda democrática mudar de rumo. Se a lição de 22 de Janeiro for bem entendida, que uma campanha não se faz em cima do joelho - a candidatura de direita é exemplar a este respeito pela forma como se preparou durante os últimos três anos - as diferenças e querelas da disputa do próximo dia 22 de Janeiro esfumam-se do mesmo modo que nasceram. De outro modo, a esquerda democrática sujeita-se a afundar em umbiguismos, ainda por cima por causa de propostas sem alcance no porvir a médio prazo, além de pouco contribuírem para a estabilidade política. Pelo contrário, estando a esquerda democrática no poder, e acirrando-se os umbiguismos, estes só contribuem para destabilizar e desacreditar o que está a ser feito; e, a esquerda democrática acaba, sem querer, por servir um projecto de Portugal que se tem vindo a preparar há alguns anos. As saliências notam-se, mas os contornos ainda não são de todo bem conhecidos. Novos desafios assomam-se, entre os quais e mais delicado: o institucional. E, de duas uma, ou a esquerda começa a delinear um projecto de desenvolvimento e crescimento de Portugal, que nem as inúmeras tentativas institucionais de a travar não são bem sucedidas, por esbarrarem no apoio social, ou sujeita-se a estatelar quando chegar à praia, se insistir na tecla dos fulanismos. Tudo depende do bom-senso. E quem não o quiser ter, pode ter a noção de que a sua postura pode valer muito mais, a nível político, do que qualquer voto que pessoas da esquerda democrática atribuam a um candidato que não do seu quadrante político no próximo dia 22 de Janeiro. Em política os ciclos iniciam-se e concluem-se nas datas eleitorais, mas a corrente política, que alimenta o quotidiano, não. A corrente política é contínua. CMC
3:06:00 da tarde
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