sexta-feira, março 17, 2006
[0.331/2006] Ver a floresta em vez da árvore
Meus Caros Pedro e Rui, Tive o cuidado de começar o texto referindo que a CPE não é a melhor das leis laborais. Pelos vistos, esta afirmação foi suprimida ou, o mais provável, esquecida do corpo do texto. É evidente que há uma preocupante e grave lacuna na CPE, o despedimento sem qualquer motivo. Estamos absolutamente de acordo. Agora, meus caros, a realidade europeia, à qual a francesa não escapa, evidencia sinais preocupantes no que ao desemprego diz respeito. Se a percentagem de pessoas em França sem emprego se situa nos 10%, a nível da juventude este valor sobe para 25%. Não menos importante, para a contextualização e análise global, a lei visa, nomeadamente, integrar os jovens que se sentem e/ou auto-marginalizam, procurando, deste modo, travar, a montante, factores que se revelaram bastante preocupantes no pretérito mês de Novembro em diversas localidades francesas. Aqui volto a afirmar o inicialmente expresso e acrescento: o despedimento sem causa é perigoso e pode, de certo modo, contribuir para a exclusão e ser mais penoso para o jovem que procura integrar-se socialmente. Quanto ao direito à manifestação, ele deve existir, obviamente. Porém, há muitos jovens que se manifestam pelo puro prazer de provocar distúrbios e têm, com este comportamento, procurado enviesar o assunto, que é deveras preocupante. A França atravessa uma crise e a decadência tem sido evidenciada, ou será que os sinais que a economia francesa quando comparada com as mais desenvolvidas do mundo não nos fornecem esses sinais?
A própria população francesa, na sua globalidade, tende a abordar o mundo contemporâneo com receio. A globalização, ou a mundialização segundo a expressão gaulesa, tem-se revelado mais um obstáculo do que uma oportunidade para a França. A realidade laboral mudou, a concorrência é maior e mais feroz, sobretudo no mercado global. Os franceses querem manter os direitos conquistados no pós II Guerra Mundial, mas o dia-a-dia diz-nos que isso é impossível. Só a França parece não querer entender. A resposta neoliberal é clara, os direitos não são muito importantes, importa acima de tudo que o mercado funcione. A minha leitura não foi nem é esta. O mercado é importante, assim como são os direitos, que devem e têm de ser preservados, mas têm de ser apropriados à realidade. Pelos vistos, a resposta gaulesa é: mais vale dois pássaros a voar do que um na mão. Por isso preferem iludir-se com o receio do canalizador polaco. O proteccionismo na era global conduz ao definhamento. Mas se querem manter o colbertismo, é um direito que lhes assiste. Infelizmente, primeiro, os franceses, depois, nós, restantes europeus, é que perdemos. Espero, meus Caros, ter expresso melhor a minha leitura. CMC
10:01:00 da tarde
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