sábado, abril 29, 2006
[0.525/2006] Charradas
Nos fins-de-semana não é meu costume abordar assuntos polémicos. No entanto, talvez por ser tempo de ociosidade um pouco mais prolongado, dediquei algum dele ao esparramento frente à televisão e acabei a escrever este Post na sequência do programa da SIC-N - "Toda a Verdade". Tratou-se de um documentário australiano dedicado à Cannabis e aos estudos que estão a ser desenvolvidos sobre o acompanhamento do seu consumo excessivo. Primeiro tomei nota que a erva produzida hoje tem pouco a ver com a que se produzia nos anos sessenta. A planta de hoje, já manipulada, é de menor tamanho, apresenta menos folhas e desenvolve as extremidades em cabeças mais densas de flores e sementes com uma superior capacidade de concentração de elementos psicoactivos. Depois soube que, ao contrário do espírito "Peace and Love" dos primórdios do consumo, a Marijuana é hoje consumida em cachimbos de água e de forma intensiva. Deixou de ser o charro-da-risada que circulava de vez em quando entre amigos, em festas de fim-de-semana.
O consumo inicia-se em grupos muito jovens onde já se detectam aumentos substanciais de casos de esquizofrenia e paranóia, tendo ficado em suspenso se esse mesmo consumo não será, por si só, um factor causador dessas mesmas doenças em pessoas que até aí não mostravam predisposição para as vir a contrair. Não sendo médico nem agente de saúde, não me irei alongar nestes aspectos, preferindo fazer aqui uma outra primeira abordagem que se prende com a legalização destas drogas. Quando se aborda o problema de legalização discute-se sempre a diferença entre drogas leves e pesadas e a distinção entre comercialização e consumo. O problema, pelo que agora vejo, pode ser mais complexo devido à evolução dos métodos de produção que, tal como no caso em referência, podem levar a que, por exemplo, a planta por manipulação genética (ou aperfeiçoamento por cruzamento de espécies) possa resultar em produto que oscile entre o leve e o pesado. Com o avanço da ciência e a comprovação científica que transforma o próprio tabaco num produto a erradicar, cria-se alguma estranheza na ligeireza com que é apresentada a pretensão da liberalização e legalização dos produtos derivados da Cannabis, não destinados a fins terapêuticos. A ser provado que o aumento de seu consumo é directamente proporcional ao do aumento de casos de esquizofrenia e paranóia e ao acréscimo de casos de suicídio juvenil, há então que rever conceitos e repensar toda a problemática antes de avançar para a legalização. Sei que este texto é ainda superficial e que nele se não aborda a questão da despenalização. Pretende ser um novo olhar sobre um assunto sempre presente na agenda política e poderá funcionar como início de debate. LNT
8:37:00 da tarde
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