domingo, maio 28, 2006

[00.623/2006] Calipso
 Que ninguém fale de prudência, ninguém fale de esperar. Há palavras que estão gastas (que me gastam). Ponderação me pedem. Exigem que me cale mas bebem do meu vinho, meus campos devastam. À resignação chamam virtude, juventude à indignação. Com seus conselhos me enfastiam, com seus prémios castigam. Se digo não me dizem sim, se digo sim me dizem não. Calar-me é doloroso mais ainda me é falar pois o silêncio é uma traição, mas há palavras que me gastam, há um falar que é não dizer, há um tempo que se gasta. Ah não me peçam pra esperar que só esperar eu desespero e a esperança já não basta que já não posso já não posso suportar. Nem os velhos que me falam da virtude, nem os novos que começam a ser velhos. E se a revolta (dizem) é juventude eu vos digo que há um tempo de acabar com este tempo que se gasta e nos gasta. Altas são as montanhas. E as águas do mar são vastas. Partir ou não partir. De qualquer modo ousar. Pois o tempo é de agir. E as palavras estão gastas. Um barco para Ítaca - Manuel Alegre LNT
5:15:00 da tarde
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