sábado, maio 06, 2006
[0.550/2006] Falcoaria
É sempre com algum espanto que observo gente que nunca esteve nem nunca viu de perto a guerra, a maior parte que nunca percebeu o equilíbrio de uma arma ou sentiu o cheiro de um disparo ter certezas do que é, como se faz e como se reage em tempo de guerra. Ainda com maior admiração observo esses mesmos, gente que nunca estudou estratégia nem alguma vez com ela lidou, defender teses como a da possibilidade do exército iraniano poder derrotar uma força internacional comandada pelos USA, ou os que, em oposição, defendem soluções dirigidas por Israelitas para actuarem cirurgicamente sobre alvos iranianos como se fosse possível não serem objecto de represálias. Mesmo sem ser um estratega militar não tenho qualquer dúvida que os Estados-Unidos serão sempre vencedores (por enquanto) em qualquer guerra convencional que disputem, mesmo na actual situação de fraqueza e de moral baixa das suas Forças Armadas. Os meios de que dispõem, os arsenais e as técnicas que dominam permitem-lhes isso. Que fique igualmente claro não ter qualquer dúvida que Israel teria sucesso caso resolvesse fazer as operações cirúrgicas que vejo por aí defendidas. O pior virá depois.
As grandes potências vencem batalhas e até guerras enquanto os soldados agem como guerreiros mas perdem-nas sistematicamente no pós-guerra, quando deixa de haver o confronto convencional e se passa à guerrilha. Foi assim em todos os Vietnames e assim é nos recentes combates do Afeganistão e do Iraque. Aos "falcões" do sofá tarda, uma vez mais, o entendimento que há que evitar actos bélicos que, uma vez em curso, só terminam com a derrota de quem invade. Não seria mau que ao advogarem estas soluções, olhassem os números recentes e percebessem a necessidade de trabalhar alternativas de paz e diplomacia. Quem assim não quer entender que faça o esforço de contar os mortos das "forças aliadas" no tempo de guerra no Iraque e depois comparar o resultado com as baixas do pós-guerra. Espero que, em tempo, no tempo urgente que esse tempo tem, comecem a surgir no panorama mundial lideres que entendam a realidade, que consigam perceber o que está em causa e que façam funcionar as estratégias da inteligência. Espero que esse tempo venha ainda a tempo de evitar o início de uma guerra que não terá necessariamente inimigos conhecidos e das quais as consequências só são indetermináveis para quem for suficiente incapaz de perceber o que está em causa. LNT
9:56:00 p.m.
. - .
Página inicial
. - .
Comentários (12)
|
|