sexta-feira, junho 23, 2006
 [0.737/2006] A aldeia da roupa branca
A véspera de São João, com martelinhos e alhos-porros (vai ser de arromba, não é Maloud?) é bom dia para nova abordagem à versão da Aldeia da Roupa Branca adaptada ao País Drapeau. O tipicismo dos estendais lusos em versão urbana evolui rapidamente. Consta que já há quem faça o estendal degradée, cuecas e ceroulas dispostas por tonalidades. Com tanta inovação e bom gosto, vão-se multiplicando as varandas com uma, duas, trinta e sete bandeiras, nacionais e estrangeiras, penduradas do direito ou do avesso, com as cores nacionais legais entremeadas com uns trapos semelhantes distribuídos pelos jornais, iogurtes e casas de electrodomésticos. Tanto faz se os trapos estampam outras cores, outros símbolos, outras esferas, outros escudos, outros castelos (ou pagodes) confundindo o facto de se designar por tralha o lado que fixa a bandeira numa tralha de bandeira. Os remoques que advém das frustrações das posturas municipais que interditam o uso de estendais nas urbes e assim acabam (sem sucesso, diga-se) com o folclore colorido das cordas da roupa tão características do mundo rural, vêem-se agora vingados no apelo nacional de Scolari e outros Altos-dignatários da Nação. Quando a febre acabar o que farão das bandeiras? Haverá algum depósito para as entregar, será implementado um novo contentor verde e escarlate nos pontos ecológicos ou tudo acabará nos ciclos normais do aterro dos lixos domésticos indiferenciados? Também tanto faz. Se se pode exibir a Bandeira Nacional pendurada por uma qualquer ponta, a dignificação deixou de fazer sentido. Pobre Nação da aldeia da roupa branca. LNT
1:14:00 da tarde
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