quarta-feira, novembro 29, 2006
[1.459/2006] Leituras
Antes de concluir os textos relativos às personalidades do PPD, faltam dois escritos, convém citar algumas breves passagens de um dos livros mais vendidos neste momento, e procurar compreender, por um lado, a coerência dos argumentos apresentados e, por outro, certas atitudes, que merecem ser tidas em consideração:
1 - "Sabia que o mandato não chegaria ao fim e pensava que teria eleições próximo das eleições autárquicas de 2005." (pág. 130)
2 - "Talvez ingenuamente, procurei fazer com que o Presidente sentisse que era um pouco o seu Governo. Com Durão Barroso e António Guterres não tinha tido a mesma influência e quis dar-lhe, um pouco, a sensação - não ilusória mas real - de que comigo podia «governar» um pouco." (pág. 131)
3 - "O facto é que nunca considerei Jorge Sampaio um adversário político, considerei-o sempre como Presidente da República. Por isso, não sou capaz de dizer que deveria ter agido de outra maneira. Não se tratou de ingenuidade política. Acreditei que Jorge Sampaio estava a procurar tranquilizar, ou contentar minimamente, os sectores de esquerda." (pág. 138)
 4 - "Não interessava a vários que eu me mantivesse no Governo o tempo suficiente para impor as reformas em curso e para me confirmar politicamente como primeiro-ministro reelegível." (pág. 417)
Quanto ao último excerto, merece ser referido outro: "Durão Barroso foi peremptório: «Considero que quem deve ser primeiro-ministro és tu. Admito que possa haver outras hipóteses, mas o partido nas as aceita» - disse-me logo no seu gabinete de São Bento. Seguiram-se mais conversas entre Durão Barroso e Jorge Sampaio e também numerosas notícias na comunicação social. Manuela Ferreira Leite foi sugerida por Belém e pelos que se opunham ao meu nome. No entanto, mesmo sobre a ministra das Finanças, Durão Barroso era peremptório: «Podia ser uma hipótese para primeiro-ministro, mas o Partido não a aceita.» (págs. 13 e 14)
Quanto à primeira referência, se o autor do escrito sabia desde cedo que a sua equipa e projecto estava a prazo, por que insistiu em comandar um barco que se afundava ou iria afundar? Mais olhos que barriga. A segunda e terceira citação demonstram a coerência dos argumentos. E que dizer do total disparate de convidar o Presidente a ter a sua quota-parte de governação?! Para quem tanto fala em sensibilidade constitucional parece não está muito de acordo com as funções do Chefe de Estado, a governar a meias com o Primeiro-Ministro. A quarta é de pasmar. Se o Executivo estava a governar tão bem, por mais adversários que tivesse, como é que este caía sem qualquer apoio e sem qualquer temor do Chefe de Estado que decidiu convocar eleições antecipadas? Talvez a governação não fosse exemplar. Quinto excerto. Por que queria o actual Presidente da Comissão que o então edil alfacinha tomasse o seu lugar na chefia do Governo. Por causa da hierarquia do partido? Talvez, visto que era o número dois do partido. Mas certamente que na altura a então responsável da Fazenda também era uma das pessoas que granjeava mais apoios nas bases e direcção do PPD, como se sabia. Ao contrário do que pretensamente terá dito o actual Presidente da Comissão Europeia. Por que terá feito este finca-pé de querer o autarca de Lisboa na chefia do Governo do país? Como o ex-Primeiro-Ministro bem salientou, na página 14 do seu livro: "Durão Barroso já tinha pensado muito no assunto, equacionando com a frieza de sempre se eu deveria ser o seu sucessor". Em política, a escolha, raramente se faz por acaso. CMCEtiquetas: cmc
12:56:00 da manhã
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