quinta-feira, setembro 29, 2005
 [1.330/2005] Ficções
Confesso não ter grande apetite para continuar a malhar em ferro frio e prosseguir com muito mais análises sobre as presidenciais. Tal como há muito venho a escrever, ainda não estão reunidos todos os elementos para que essa análise seja feita e entendo que até que se possa elaborar um diagnóstico correcto, teremos de esperar. Sem os resultados das próximas autárquicas, sem a quebra dos tabus e sem esclarecimento dos golpes de mágica que possam "andar por aí", qualquer vaticínio tem fortes probabilidades de erro. O que se sente é existirem silêncios ruidosos na direita (vão-me desculpar a simplificação da direita/esquerda) que sabe não sobreviver a dez anos de Cavaquismo, tal como o CMC já explicou mais abaixo. Igualmente se aceita com alguma facilidade que o antigo Primeiro-ministro não quererá correr qualquer risco, pois uma segunda derrota ser-lhe-à fatal. Por outro lado vai-se desenvolvendo a tese de que os eleitores podem estar a chegar ao ponto de querer exercer represálias sobre os Partidos (Veremos os resultados das candidaturas rebeldes às autarquias). A desilusão dos cidadãos faz com que se revejam cada vez menos nos Partidos Políticos.
A acontecer ao PSD o que já aconteceu ao PS, isto é, que Cavaco seja o candidato oficial do PSD e depois surja uma candidatura independente dentro dessa área, teremos um confronto entre aparelhos partidários e cidadãos que, querendo admoestar os Partidos, não estão dispostos a abdicar das suas convicções políticas. Abrindo as portas para que se possa votar nas tendências políticas sem votar nos Partidos, havendo oportunidade de escolher entre os candidatos oficiais dessas tendências e outros da mesma área, estão criadas as condições objectivas para poderem demonstrar o desagrado sem traírem as suas convicções. Como sobrevirão os Partidos se uma segunda volta se vier a realizar entre Alegre e Santana Portas? Aos avisos sobre os centrões, os Partidos moderados de esquerda e de direita, fazem ouvidos moucos. Recusaram-se a ouvir que a voz popular diz todos os dias que: são todos iguais, é tudo do mesmo. Agora veremos o que aí vem. Por tudo isto prefiro não avançar muito mais em análises, até porque por profissão sei que as análises eficazes só são possíveis com o conhecimento de todas as premissas. E como a imaginação é fértil, para rematar, até deixo o mais absurdo de todos os cenários que seria o da direita entender que nos próximos cinco anos lhe seria tolerável ter, por mais uma vez, um Presidente da República da área do PS (Dependendo dos resultados eleitorais do próximo dia 9 de Outubro). A manter-se o actual cenário de candidatos ou apresentando-se um candidato fraco à direita, teríamos o quê? LNT
1:47:00 da manhã
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