quinta-feira, fevereiro 23, 2006
[0.216/2006] Companhias (d)e Bandeira
Caro Carlos, Não leves a mal os meus comentários sempre que falas destas coisas de aviação, mas terás de compreender que decididamente não é matéria que domines. Possivelmente custa-te admitir que existe muita ciência nestas coisas. Nada tem de ofensivo, nem sempre conseguimos abarcar todo o conhecimento. Há sempre uma abordagem política ou filosófica para qualquer questão mas, e esse tem sido o grande problema português, quem a faz deve evitar imiscuir-se na tecnicidade. Já vi em Portugal muitas soluções técnicas serem abandonadas por, quem tem de decidir politicamente, não entender a sua abrangência.
Acredita que não tenho qualquer intenção, repito, de te arreliar com os meus comentários, mas não posso deixar de os fazer quando os meus limitados conhecimentos da matéria verificam que embora muitos dos teus raciocínios sejam politicamente correctos carecem de tecnicidade. Permite que na tua boleia e aproveitando o texto do Almirante Vieira Matias que tiveste a amabilidade de linkar, transcreva: "Neste sector dos portos e dos transportes marítimos nota-se uma enorme falta de quadros especializados, só susceptível de ser ultrapassada por um adequado sistema de formação e pelo emprego no sector de pessoal proveniente das escolas, em vez das fileiras partidárias. De resto, melhor organização e mais formação parecem-me ser prescrições essenciais a todas as doenças do sector marítimo."
Quanto às rotas TAP para Macau e Timor é como já disse anteriormente. Para Timor nunca existiram, para Macau existiram por muito pouco tempo e revelaram-se um desastre financeiro total, tendo sido abandonadas em curto prazo. Também aqui se tem de fazer a identificação técnica dos termos. Rota em aeronáutica é um termo preciso que tem a ver com acordos internacionais regulamentados por normas internacionais(algumas pistas aqui) e por acordos diplomáticos. Referes no teu texto o facto da TAP poder comercializar, como agência turística, viagens para destinos em que não opera. Isto é uma actividade subsidiária da companhia. Nada tem a ver com rotas nem destinos da TAP como companhia de aviação. São conceitos absolutamente diferentes. Aliás reconheces assim ser quando falas de turismo no teu texto. (Para além do mais, as companhias aéreas também funcionam com serviço de frete/e/ou de charter). O que não existe é uma rota TAP, penso que entendes a diferença. Pouco interessa. Se um dia estiveres interessado posso dar-te alguns contactos de especialistas desta área. Quanto ao TGV, já o disse anteriormente. Vou lendo o que o Potassa escreve, mas já o vi defender diversas e variadas coisas, por isso... No entanto e em apreciação política continuo a entender que adiar esta questão irá pagar-se muito caro no futuro. Não consigo entender como é que primeiro se fala de globalização e depois se quer travar a circulação uniforme por via-férrea. Fica a ideia que até à fronteira o TGV é bom, depois dela (da fronteira espanhola/portuguesa) passa a ser mau. Parece que a Europa termina na raia espanhola (no sentido luso) e que para vir da Europa para Portugal estamos condenados a fazer o transbordo no apeadeiro de Vilar Formoso (ou outro). É um exercício bizarro. Havia mais a dizer sobre este texto mas repito não ser minha intenção arreliar-te. Por exemplo misturar a ZEE com a linha de costa. Ou tentar entender porque o Porto de Sines (de águas profundas) é um elefante Branco. Disto tudo o que importa retirar é que entendo, minha modesta opinião, que competir com Espanha naquilo em que Espanha é um potentado mundial, não me parece boa solução. Deveríamos especializar-nos antes naquilo em que a Espanha e a Europa são deficitárias. Deveríamos desenvolver as nossas competências científicas e técnológicas. Deveríamos apostar nos Serviços e na Qualidade. Deveríamos apostar fortemente na investigação marítima (aproveitar a nossa ZEE) e principalmente nas matérias em que damos lições ao Mundo (lembras-te do apoio que demos a Espanha na altura do Prestige?). Apostar em áreas da ecologia e do desenvolvimento sustentável. E, meu caro, dispor de todos os meios de circulação eficazes e eficientes, sejam eles aéreos, terrestres ou marítimos desde que nos aproximem dos centros de decisão. LNT Nota que neste texto nem sequer faço a abordagem do controlo aéreo nem o de gestão de aeroportos. Outras matérias a ter em conta no dia em que nos especializarmos nestas questões.
1:25:00 da manhã
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