sexta-feira, janeiro 05, 2007
[0.013/2007] Nem tudo pode valer para ganhar votos
Nos últimos dias, vários responsáveis do Partido Democrata, como Pelosi ou Edwards, têm apresentado o seu ponto de vista, quanto à forma como os Estados Unidos devem lidar com o caso iraquiano. E defendem estes, como outros democratas, que as tropas norte-americanas devem sair em breve do solo iraquiano. Nada de mais errado. Qualquer Presidente a ser eleito em Novembro de 2008, seja ele Democrata ou Republicano, terá de prosseguir uma política de presença militar no Iraque, durante mais alguns anos, até ao momento em que as autoridades locais detenham o controlo da estabilidade do território, sob pena do Iraque se tornar um ameaça para a população iraquiana, sem segurança e estabilidade desejáveis; para a região, pela disputa do poder entre sunitas e xiitas, sem esquecer a importância do grupo curdo no quadro regional; e, para o mundo, ao poder tornar-se em mais um grande viveiro do terrorismo, depois do grande viveiro afegão e das minis estufas terroristas situadas na África do norte e central. Obviamente, são necessárias metas como o relatório Baker aponta. Até para apurar os resultados dos objectivos propostos. Mas qualquer pessoa de bom-senso reconhecerá que retirar as tropas em 2008 seria um desastre maior, de acordo com a realidade actual, pois o Iraque está longe, no médio prazo, de conquistar a segurança mínima de um Estado de Direito. Os EUA, como superpotência, não pode demitir-se da sua posição no globo. Já bastou esta Administração, que, quando chegou ao poder, assumiu uma leitura exígua da presença e papel dos EUA no mundo e, hoje, estamos a pagar, e bem caro, os erros cometidos por esta Administração. Os erros não podem ser varridos para debaixo do tapete, como vários elementos do Partido Democrata pretendem, antes que o tapete, já de si cheio, se levante e dissemine, ainda mais, o terrorismo. Queira-se ou não, a estabilidade mundial passa pelo futuro do Iraque. Aí se trava o avanço ou recuo de uma das partes. O mundo livre não pode ceder, agora, neste árduo e longo braço-de-ferro com o terrorismo. Perder o Iraque, significa perder muita da nossa segurança. Oxalá vários Democratas emendam a mão e não tenham a ambição de conquistar votos com propostas que agradam ao ouvido do eleitorado, mas não são compatíveis com a sua segurança. Os EUA não precisam de uma linha política "à Carter", mas sim de uma política "à Clinton". CMCEtiquetas: cmc, EUA, Iraque, Política Internacional
11:18:00 a.m.
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