sexta-feira, janeiro 05, 2007
[0.014/2007] Esclarecimento
Caro Luís, Face às questões suscitadas, nada como as explicar por pontos:
Gostaria de ter as certezas que revelas ao dizer que a presença das tropas norte-americanas no Iraque são imprescindíveis.
1 - As tropas da coligação são "imprescindíveis", dado o facto de o Iraque não possuir neste momento forças de segurança que controlem o terreno. Sem a sua presença a população iraquiana ficaria numa situação ainda mais precária, com uma guerra civil sem freios e com os terroristas a operarem com pleno à vontade.
Gostaria, porque essa certeza me garantia que afinal esta insanidade de atacar o Iraque tinha servido, pelo menos, para a democratização daquele País ou para a estabilidade daquela zona. No entanto duvido, e os factos estão aí para dar razão a quem sempre foi contra a intervenção, que possa haver qualquer vitória em solo iraquiano. Aquilo não é uma democracia, a destruição e a violência reinantes resultam no caos total. Por acção da invasão aquilo já nem é um Estado.
2 - Não está em causa, na análise do texto, o juízo de valor quanto à guerra ter servido para democratizar o país e/ou estabilizar a região. Sempre considerei a intervenção um erro (21/11/03) e as eleições de Janeiro de 2005 uma encenação (31/01/05). A orientação do texto (0.013) é prospectiva, não retrospectiva.
Não consigo perceber como será que o abandono dos norte-americanos e ingleses, agora ou daqui a 5, 10, ou 15 anos pode alterar alguma coisa. Resta-lhes sair e essa saída será sempre com a mesma humilhação que tiveram quando se meteram em aventuras só com o fito de supremacia. Não aprenderam nada na História do Séc.XX.
3 - Tudo muda, quer se intervenha ou não. Isto é da natureza das coisas. Como a mudança assume rumos, é preferível procurar moldá-los para que estes rumos que trilhem os campos da segurança e da estabilidade da população iraquiana, da região e do globo, do que deixar ao sabor do vento ou do interesse de outros interventores, nomeadamente dos terroristas.
O desastre que referes para 2008 dar-se-á sempre, seja nessa data ou em qualquer outra porque aquilo que foi feito no Iraque não podia ter outro resultado.
4 - Não sou fatalista, nem determinista, por isso não concebo o desastre, num projecto que se concebe. Para isso mais valia nem o traçar, dava-se o assunto por adquirido e consumado. O desastre já foi cometido, agora, de duas uma, ou se enfrenta a realidade ou se opta por fazer de conta que nada passou. Como a última premissa não tem grande validade, dado que por mais que se ignore, a realidade bate sempre à nossa porta, é preferível enfrentá-la; isto é, é desejável que as tropas da coligação saiam do Iraque quando as forças de segurança iraquianas tiverem um total controlo do país. E, porque não, com a saída das forças da coligação, aportar no Iraque um conjunto de militares, pela ONU, como garantes da estabilização do país? Certamente que o Iraque não renasce das ruínas em que se encontra numa década.

Talvez possam montar um novo ditador para, tal como fizeram com Saddam, o virem a enforcar daqui a uns anos, mas nada mais. Gostaria que explicasses melhor o que será diferente depois de 2008 ou o que te leva a defender o adiamento daquilo que todos sabemos ser inevitável.
5 - Se vão "montar" ou não um novo ditador, só o tempo dirá. Quanto á referência do ano 2008, tal se deve à data avançada pelos peritos para iniciar a retirada dos militares norte-americanos. CMCEtiquetas: cmc, EUA, GB, Iraque, Política Internacional
3:38:00 p.m.
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