quarta-feira, junho 27, 2007
[0.846/2007]O Fim CMCEtiquetas: GB, Política Internacional
12:40:00 p.m.
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segunda-feira, janeiro 29, 2007
[0.132/2007] Momento histórico
Ontem, na Irlanda, deu-se mais um passo no sentido de estabilizar e consolidar a paz na Irlanda do Norte, entre católicos e protestantes. O momento é histórico, pois pela primeira vez, o Sinn Fein, braço político do IRA, reunido em congresso, deliberou reconhecer a polícia do Ulster. O passo para a autonomia está mais perto e importa reconhecer, depois de décadas manchadas de sangue, graças ao empenho do Governo britânico e irlandês, há vários anos que a porta da oportunidade se abriu para um dos territórios mais instáveis da Europa. Dez anos depois, e a pouco tempo de sair, este é um dos grandes sucessos políticos de Blair, que pode sair do seu cargo com missão cumprida. A Blair se deve esta nova e promissora fase. Felizmente, longe vão os tempos da governação conservadora, quando a Irlanda do Norte era uma traseira desprezível, com nítidos e graves custos humanos, tanto para irlandeses como para britânicos. Obviamente, não se pode esquecer o papel determinante de Mo Mowlam, a malograda secretária do Gabinete britânico para a Irlanda do Norte, que muito contribuiu para alcançar as pontes indispensáveis dos lados em contenda. CMCEtiquetas: cmc, GB, Irlanda, Política Internacional
1:04:00 p.m.
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quarta-feira, janeiro 10, 2007
[0.040/2007] O exercício do poder e o baloiço na ponta da corda
Aqui está uma boa razão para não gostar do exercício do poder que Blair exerce. Fosse ele de direita ou de esquerda, porque, pura e simplesmente, não gosto de quem colabora contra os fundamentos da nossa civilização. LNTEtiquetas: GB, Iraque, lnt, Política Internacional
3:43:00 p.m.
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[0.039/2007] Entre o exercício do poder e o refastelamento no sofá
Nestes últimos dias, de breves conversas com alguns camaradas que encontrei, noto um denominador comum a leituras que algumas pessoas amigas têm sobre a política em geral. E, de certo modo, começo a perceber melhor porque muita gente na esquerda detesta Blair - infiro, pela linha de raciocínio que apresentam. Directa ou indirectamente, trata-se de uma questão de poder. Há ainda quem se sinta desconfortável com o apoio ao poder. Há quem prefira ser oposição, pela oposição. Assim, não se assume responsabilidades. É mais fácil criticar do que o construir. Não assumir, do que ter responsabilidades. Há quem diga e propale que quer mudar o mundo, mas sempre no conforto do seu sofá, numa verborreia que expressa como terminam as desigualdades, assim e assado, que a pobreza era erradicada de um modo, e que um mundo perfeito seria alcançado. Qual receita condenada a deixar tudo como está, ou pior. Ora, o mundo só se muda, principalmente, quando exercido o poder, não refastelado numa posição de treinador de bancada do "faço e aconteço". O apoio ao poder não passa pela subserviência nem pelas palmadinhas nas costas, mas pela frontalidade e responsabilidade de opções. É tempo de algumas pessoas de esquerda perderem preconceitos com o exercício do poder, pois estamos em Democracia, e em democracia a maioria escolhe o que entende ser melhor para si e para o seu país. Regressando a Blair, o que devia ser um orgulho para a esquerda democrática, é compreendido como uma vergonha, como se na oposição algo de significativo se mudasse na sociedade. E como se a escolha, por três vezes, como os britâncios optaram, pudesse ser considerada como um sacrilégio. Entre o sofá que apregoa mudar o mundo e o exercício do poder na procura de uma sociedade mais justa, sem sombra de dúvidas, a última. Há quem na esquerda prefira não ter responsabilidades nem assumi-las, pois não se sente bem (traumas de outras décadas? quem sabe!?). Também por isto, mas não só, caro Francisco, os novos rostos do socialismo europeu trazem uma lufada de ar fresco. O poder não é, não pode ser, uma ambição pessoal. O poder serve para não deixar as coisas como estão, injustas e insatisfatórias, para todos nós, assumindo uma perspectiva optimista, mais característica da esquerda. O exercício do poder é legítimo e indispensável, se de facto se quer mudar alguma coisa. CMCEtiquetas: cmc, GB, Política Internacional
3:28:00 p.m.
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sexta-feira, janeiro 05, 2007
[0.014/2007] Esclarecimento
Caro Luís, Face às questões suscitadas, nada como as explicar por pontos:
Gostaria de ter as certezas que revelas ao dizer que a presença das tropas norte-americanas no Iraque são imprescindíveis.
1 - As tropas da coligação são "imprescindíveis", dado o facto de o Iraque não possuir neste momento forças de segurança que controlem o terreno. Sem a sua presença a população iraquiana ficaria numa situação ainda mais precária, com uma guerra civil sem freios e com os terroristas a operarem com pleno à vontade.
Gostaria, porque essa certeza me garantia que afinal esta insanidade de atacar o Iraque tinha servido, pelo menos, para a democratização daquele País ou para a estabilidade daquela zona. No entanto duvido, e os factos estão aí para dar razão a quem sempre foi contra a intervenção, que possa haver qualquer vitória em solo iraquiano. Aquilo não é uma democracia, a destruição e a violência reinantes resultam no caos total. Por acção da invasão aquilo já nem é um Estado.
2 - Não está em causa, na análise do texto, o juízo de valor quanto à guerra ter servido para democratizar o país e/ou estabilizar a região. Sempre considerei a intervenção um erro (21/11/03) e as eleições de Janeiro de 2005 uma encenação (31/01/05). A orientação do texto (0.013) é prospectiva, não retrospectiva.
Não consigo perceber como será que o abandono dos norte-americanos e ingleses, agora ou daqui a 5, 10, ou 15 anos pode alterar alguma coisa. Resta-lhes sair e essa saída será sempre com a mesma humilhação que tiveram quando se meteram em aventuras só com o fito de supremacia. Não aprenderam nada na História do Séc.XX.
3 - Tudo muda, quer se intervenha ou não. Isto é da natureza das coisas. Como a mudança assume rumos, é preferível procurar moldá-los para que estes rumos que trilhem os campos da segurança e da estabilidade da população iraquiana, da região e do globo, do que deixar ao sabor do vento ou do interesse de outros interventores, nomeadamente dos terroristas.
O desastre que referes para 2008 dar-se-á sempre, seja nessa data ou em qualquer outra porque aquilo que foi feito no Iraque não podia ter outro resultado.
4 - Não sou fatalista, nem determinista, por isso não concebo o desastre, num projecto que se concebe. Para isso mais valia nem o traçar, dava-se o assunto por adquirido e consumado. O desastre já foi cometido, agora, de duas uma, ou se enfrenta a realidade ou se opta por fazer de conta que nada passou. Como a última premissa não tem grande validade, dado que por mais que se ignore, a realidade bate sempre à nossa porta, é preferível enfrentá-la; isto é, é desejável que as tropas da coligação saiam do Iraque quando as forças de segurança iraquianas tiverem um total controlo do país. E, porque não, com a saída das forças da coligação, aportar no Iraque um conjunto de militares, pela ONU, como garantes da estabilização do país? Certamente que o Iraque não renasce das ruínas em que se encontra numa década.

Talvez possam montar um novo ditador para, tal como fizeram com Saddam, o virem a enforcar daqui a uns anos, mas nada mais. Gostaria que explicasses melhor o que será diferente depois de 2008 ou o que te leva a defender o adiamento daquilo que todos sabemos ser inevitável.
5 - Se vão "montar" ou não um novo ditador, só o tempo dirá. Quanto á referência do ano 2008, tal se deve à data avançada pelos peritos para iniciar a retirada dos militares norte-americanos. CMCEtiquetas: cmc, EUA, GB, Iraque, Política Internacional
3:38:00 p.m.
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domingo, dezembro 31, 2006
[1.620/2006] 2007
Ao contrário dos balanços feitos nos anos anteriores, opta-se, hoje, por perspectivar o ano que aí vem.
Amanhã, dia 1, mais um alargamento da UE. Não se deve considerar histórico, pois trata-se de um completar do alargamento feito em 1 de Maio de 2004. Bem-vindos: Bulgária e Roménia!
A partir de amanhã a Alemanha assume a Presidência da UE e do G8. Duas conduções importantes, visando a primeira o relançamento do Tratado Constitucional, enquanto a segunda tem por lema "Crescimento e Responsabilidade", merecendo, e bem, África uma atenção especial.
Em Fevereiro haverá novo referendo da IVG e penso que desta vez os portugueses dirão maioritariamente SIM, pela dignidade Humana.
Em França, em Abril e Maio (segunda volta), felizmente, vai ocorrer mudanças no Eliseu. Penso que haverá uma disputa presidencial renhida, mas Ségolène deve vencer. E a vitória de Ségolène será importante não só para arrancar a França da letargia em que se encontra, como para impulsionar a UE, como um todo, em vez de contar só com alguns países, como defende e quer o principal candidato da direita. Ségolène assumirá, seguramente, no Eliseu o património do melhor socialismo francês contemporâneo, desenhado e efectuado por Mitterrand e Delors.
 No fim do ano, em Novembro, o congresso do Partido Comunista Chinês. O que sairá do magno sarau da potência emergente? Segundo documentos há dias conhecidos, a segurança no este asiático domina as preocupações chinesas, dado a concertação de posições entre Japão e EUA naquela zona do globo. Como se traçará a linha de diálogo entre Pequim e Pyongyang? Provavelmente ficará na mesma. E, a nível interno, continuará o congresso do PCC a considerar que só falta o ovo Taiwan no seu cesto, depois de recolhidos os ovos de ouro Hong Kong e Macau? Qual a perspectiva económica a assumir, face ao aumento do barril de petróleo, ouro negro que sustenta as taxas de crescimento na casa dos 10% ano? É um congresso a seguir com atenção.
Nos EUA, ficará mais claro quem será candidato nas primárias, que arrancam em Janeiro de 2008. Se do lado Republicano tudo parece encaminhado para um duelo McCain/Giuliani, do lado Democrata podem surgir várias candidaturas, que não tornarão a disputa a dois, nem deverá ser uma passeio para Hillary. Que deve formalizar a sua candidatura no próximo ano. Talvez lá para o segundo semestre.
No Reino Unido é o momento de viragem. Resta saber quando sairá Blair. Se antes ou depois das eleições locais, de Maio próximo. Estará Gordon Brown à altura da missão? Penso que está. Quanto a Blair, veremos o que fará no Médio Oriente, onde se vai empenhar até ao final do mandato. Penso que sucederá o mesmo com Clinton, por só ter tratado do assunto na recta final da liderança, as sementes lançadas não ganharão grande desenvolvimento no solo político demasiado árido daquela região.
 Na Rússia, deve conhecer-se no segundo semestre o delfim escolhido pelo Czar Vladimir para ganhar a eleição presidencial a ter lugar na Primavera de 2008.
No grande Médio Oriente, importa apurar o que fará o Irão, com o seu projecto nuclear, se avança ou recua. Talvez a Comunidade Internacional seja novamente convocada a assumir posições mais inflexíveis. No Iraque, nos primeiros meses, o caos deve continuar. Veremos qual o plano que Washington assumirá em Janeiro. Se mais ou menos tropas nas terras do Eufrates e do Tigre. As eleições na Palestina não deverão desfazer o nó existente. Tudo para seguir com precaução, pois ali se joga a estabilidade mundial.
Por cá, a pasmaceira do costume na oposição. À esquerda, a liturgia do costume, mais estáticos que uma coisa imóvel, e, à direita, o forrobodó do costume. No CDS as tricas vão continuar, no PPD os pretendentes do trono vão esperar para ver o desenrolar dos acontecimentos. No entanto, este é o ano do grande teste ao Primeiro-Ministro e ao Governo. Tudo por causa da Presidência da UE no segundo semestre. Passará o Governo no exame? Esta é a grande questão, que tem como pergunta subjacente: compatibilizará o Primeiro-Ministro o ritmo de trabalho europeu que lhe deixa pouco tempo para os assuntos domésticos com a governação intra-muros? Alguém tem de ficar a comandar os destinos internos, e esse comando bicéfalo assentará provavelmente nos Ministros da Administração Interna e da Presidência. Porém, por mais competentes que sejam, não é a mesma coisa do que ser o número um do Governo a capitanear a equipa. Aliás, o PS teve essa experiência em 2000. Veremos o que acontecerá, sublinhando, por outro lado, os marcos que a Presidência portuguesa pode deixar: como a continuidade do relançamento do Tratado Constitucional e, sobretudo, a Cimeira UE/África. CMCEtiquetas: China, cmc, EUA, França, G8, GB, Irão, Iraque, IVG, Japão, Política Internacional, Política Nacional, Rússia, UE
1:46:00 p.m.
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segunda-feira, junho 27, 2005
[0.884/2005] Estratégias
Havia no interior minhoto um curandeiro que, à entrada dos seus clientes, anunciava sempre uma tragédia de morte. Quando, ao fim de umas sessões de má terapia, informava os seus doentes que já estavam em condições de só ficaram paralíticos, todos lhe agradeciam e louvavam as suas capacidades transcendentes. Cada vez me convenço mais de que a estratégia do curandeiro foi assimilada com mestria na condução dos negócios europeus e que irá, lá para o fim do ano, fazer surtir milagres do mesmo calibre. Depois das inabilidades da presidência luxemburguesa e das mais que habituais trapalhadas do peixe de fundo (sigam-no, sigam, que vão ver o desejo...), o mais hábil político europeu, apoiado na mestria ilusionista dos efeitos especiais de além Atlântico, chegará ao fim do ano com as negociações, que há uns dias se mostraram impossíveis, realizadas a contento de todas as partes. O Tratado engavetado, como decidido na sala oval e os fundos comunitários a correrem para países que garantam o retorno eficaz à economia inglesa através do know-how em que serão investidos. Assim se fazem os grandes líderes nacionais. A Europa, como sempre, poderá esperar. LNTEtiquetas: GB, Política Internacional, UE
12:58:00 p.m.
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