sábado, abril 14, 2007
[0.450/2007] Miranda warning
Só mesmo nos países com práticas democráticas pouco consolidadas se podem deixar de accionar os mecanismos legais preferindo a suspeita ao integral esclarecimento dos factos. Importa que ao serem levantadas pontas de investigação, quem detém os meios que lhe são disponibilizados pela República aprofunde cientificamente os factos. Portugal não pode intitular-se uma democracia de pleno direito se não tiver por norma estes preceitos. Não é possível o permanente clima de suspeição sobre os que nos lideram. É preciso accionar os mecanismos judiciais e de investigação e apurar, se necessário com carácter de prioridade e urgência, até às últimas consequências, as matérias que põem em risco a credibilidade das instituições. Perante a constatação apresentada pelo Braganza Mothers a que cheguei via Contra Capa é impossível ficar indiferente. Quem tem o dever de investigar tem de fazê-lo para concluir a verdade. Se há manipulação e dados falsos na praça pública há que penalizar os caluniadores. Em caso contrário terão de se retirar todas as consequências. Os que ingenuamente se convenceram que a entrevista do PM era o ponto final nesta polémica ainda terão muito para se surpreenderem. Tal como tive a oportunidade de aqui escrever, este processo foi muito mal conduzido desde o princípio. Os silêncios iniciais de três semanas deveriam ter sido atalhados no primeiro minuto com a apresentação da documentação ao que se seguiria o encaminhamento do caso para a judiciária para apuramento dos factos e posterior tratamento judicial. Não estava em causa um fait divers comum, nem um caso estéril, mas o bom-nome e a credibilidade de quem tem, pelo direito da confiança nele depositado pela maioria dos cidadãos, de exercer o poder democrático. O PM nunca poderia ter ido à televisão fazer a sua defesa porque o tempo dos julgamentos de rua já lá vai. O Miranda warning é um aviso do poder democrático. Quem prefere ignorá-lo e fazer da televisão o lugar da sua defesa arrisca-se a transformar o poder judicial em tribunal popular. You have the right to remain silent. Anything you say can and will be used against you in a court of law. You have the right to an attorney. If you cannot afford an attorney, one will be provided for you.
Nota: A irresponsabilidade e a calúnia feita na Net tem de ser combatida com a investigação e com a respectiva penalização caso se apure matéria para tal. Não é com apreciações genéricas como fez o PM na sua entrevista na RTP 1 em que meteu no mesmo saco de caluniadores e trapaceiros todos os que se exprimem nos Blogs. Sobre este assunto ler o que já aqui escrevi e que, tanto o Rui, como o Tomás, anotaram nos seus Blogs.
(Som do Tugir em português)
do seu, LNTEtiquetas: Blogs, Comunicação, Etica, lnt, Música, Política Geral
5:00:00 p.m.
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quinta-feira, abril 12, 2007
[0.435/2007] Nota do mês de Abril, mês da liberdade
Ainda sou de um tempo (sempre quis escrever isto) em que o Partido Socialista tinha militantes e funcionários. Aos militantes era permitido eleger e fazer-se eleger e aos funcionários, mesmo que militantes, era vedado fazerem-se eleger. O raciocínio era simples, correcto e saudável. Não sendo o PS um Partido estalinista, não se confundiam militantes com funcionários. Depois, pela mão de alguns cristãos-novos que arribaram de outros pensares-políticos e se instalaram na hierarquia, essa norma foi revogada e passou a ser costume dos funcionários que dominavam a máquina, a ascensão a líderes políticos. Hoje há muitos cuja qualidade-de-vida depende das fidelidades e para quem é mais importante o chefe do que a política. Acontece que a maior parte dos que militam (já há quem os apelide de militantes-não-dependentes) arranjaram novas formas de militar politicamente, normalmente afastados dos que se fazem políticos para tratar da vidinha. Até aqui na Blogos se nota essa diferença. Os militantes-não-funcionários assinam com o seu nome os textos que publicam e os funcionários-militantes preferem o anonimato e a ofensa fácil. É da vida, como dizia o meu amigo Guterres. do seu, LNT Nota: É prática deste Tugir não admitir ofensas feitas por anónimos a outras pessoas. Por tal razão não se espantem que sejam eliminados comentários onde cobardemente se atacam terceiros. Não é uma questão de censura, mas só de higiene.Etiquetas: Cobardolas, Etica, lnt, PS
5:07:00 p.m.
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[0.433/2007] Das coisas estéreis
Sei ser estéril, uma vez que há assuntos muito sérios que preocupam os portugueses, falar das habilitações literárias do nosso diplomado senhor engenheiro.
Sei ser estéril, uma vez que não é requisito para o cargo de Primeiro-Ministro, que o nosso diplomado senhor engenheiro seja, ou não, Eng., Dr. ou Arq..
Sei ser estéril que a defesa da honra do nosso diplomado senhor engenheiro se tenha feito com a apresentação da canudagem porque parece que ninguém duvidava da existência dos diplomas mas sim das formas como tinham sido conseguidos e de outras questões relacionadas com curriculas e biografias oficiais inexactas, pressões sobre a comunicação social (ainda ontem confirmadas na primeira pessoa por Sarsfield Cabral), por exemplo.
Sei ser estéril, uma vez que estamos em Portugal, falar da progressão dos estudos do nosso diplomado senhor engenheiro, mesmo sendo orgulhosamente conseguida em regime pós-laboral, quando a sua profissão é ser político (não se lhe conhece outra, pois não?) sendo que pressupõe, pelo menos, isenção de horário de trabalho no desempenho do exercício das funções (Qual será o período laboral de um deputado ou de um Secretário de Estado ou Ministro?).
Ainda assim apeteceu-me esta coisa estéril em vez de outras em voga como, por exemplo, a de me pronunciar sobre se o aeroporto da Ota deve ser construído na Ota ou em Badajoz.
Apeteceu-me também a coisa estéril porque estou farto de, entre coisas diversas, ouvir o nosso diplomado senhor engenheiro afirmar que uma das prioridades deste Governo é pôr toda a gente na Internet (graças a um espantoso choque tecnológico onde se gasta boa parte dos nossos Impostos) e depois ouvi-lo na televisão sugerir que este meio é um ninho de caluniadores que não se pode, nem deve, levar a sério. do seu, LNT
É um brincalhão, este Perdigão!Etiquetas: Aeroporto, Comunicação, Ensino, Etica, Ficção, Informática, Inovação, lnt, Marketing, Ota, Política Geral, Religião, Tecnologia, Vida
12:28:00 p.m.
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